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RESUMO
Evidências clínicas sugerem que pacientes sob tratamento quimioterápico
apresentam alguma forma de dano cognitivo. Isso tem sido observado
principalmente em estudos com mulheres submetidas ao tratamento adjuvante do
câncer de mama. Devido ao potencial impacto clínico dessa complicação, torna-se
necessário um maior número de estudos a respeito dos mecanismos envolvidos na
disfunção cognitiva ocasionada por agentes quimioterápicos. Nesse sentido, é
fundamental o desenvolvimento de modelos animais que aprimorem o conhecimento
dessa possível disfunção. Em nosso estudo, foi avaliado o efeito da ciclofosfamida,
agente quimioterápico largamente utilizado em oncologia, em especial na terapia
adjuvante do câncer de mama. Foi utilizado um modelo animal com camundongos
machos adultos que receberam injeção sistêmica da ciclofosfamida nas doses de 8,
40 ou 200 mg/kg ou controle com solução salina. Os animais foram treinados em
tarefa de esquiva inibitória e comportamento em campo aberto, sendo avaliados
após um dia ou sete dias do tratamento. Os camundongos tratados com
ciclofosfamida nas doses de 40 ou 200 mg/kg um dia antes do teste mostraram
significativo dano de retenção de memória. Esses resultados sugerem dano
cognitivo agudo. O experimento controle não afetou o comportamento em campo
aberto, o que enfraquece a possibilidade de dano por ação na locomoção, na
motivação ou na ansiedade. Com base em nosso estudo e ampla revisão
bibliográfica, é possível considerar um dano cognitivo agudo após injeção única de
ciclofosfamida em modelo de camundongos de memória aversiva. Futuros estudos
são necessários para caracterizar os déficits cognitivos induzidos pela quimioterapia
em modelos animais e investigar os mecanismos responsáveis pelos diferentes
efeitos da ciclofosfamida na memória em diferentes modelos experimentais.